Givaldo Ferreira Santos foi condenado pelo Tribunal do Júri em 2024 pelo crime contra Zuleide Lourdes Teles da Rocha, ocorrido em 19 de junho de 2021, e morreu na Penitenciária Estadual de Dourados em 23 de junho de 2026
Givaldo Ferreira Santos voltou ao noticiário em junho de 2026 após morrer dentro da Penitenciária Estadual de Dourados, em Mato Grosso do Sul, onde cumpria pena pela morte da esposa, a também detetive particular Zuleide Lourdes Teles da Rocha. O caso teve início em 19 de junho de 2021, quando Zuleide foi atraída para uma suposta contratação profissional e assassinada em uma área de mata na região de Dourados.
De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a denúncia apresentada pelo MPMS resultou na condenação de Givaldo e de outros envolvidos. O julgamento ocorreu em agosto de 2024 e terminou com a condenação do marido da vítima a 24 anos de reclusão. O MPMS também informou que o crime foi considerado triplamente qualificado, envolvendo motivo torpe, dissimulação/emboscada e feminicídio.
O caso é tecnicamente relevante porque reúne elementos típicos de investigação criminal complexa: falsa narrativa inicial, mudança de linha investigativa, participação de intermediários, planejamento prévio, prova testemunhal, confissão, análise de motivação patrimonial e julgamento pelo Tribunal do Júri. Inicialmente, a morte chegou a ser tratada como possível latrocínio, mas essa hipótese foi descartada durante a apuração, que passou a trabalhar com a tese de execução planejada.
Segundo reportagens da época, Zuleide recebeu contato de Sueli da Silva, apontada no processo como orientadora espiritual de Givaldo. A abordagem teria sido feita sob a justificativa de contratação de serviços de investigação particular para um suposto caso extraconjugal. Ao comparecer ao local indicado, a vítima foi levada para uma área de mata e assassinada. Uma criança de sete anos que a acompanhava foi retirada da cena principal e posteriormente deixada em outro ponto.
As investigações apontaram Givaldo Ferreira Santos como mandante do crime. Conforme informações divulgadas por veículos locais, ele teria planejado a morte da esposa e contado com a atuação de terceiros para atrair a vítima ao local. A apuração também indicou que conflitos conjugais e questões patrimoniais estiveram entre os fatores analisados no processo.
Em agosto de 2024, o Tribunal do Júri de Dourados condenou Givaldo Ferreira Santos a 24 anos, um mês e 25 dias de prisão, conforme informações publicadas por veículos locais. Também foram condenados Sueli da Silva e José Olímpio de Melo Júnior, enquanto um quarto réu foi absolvido pelos jurados. O MPMS registrou o processo sob o número 0004889-49.2021.8.12.0002.
A morte de Givaldo ocorreu na madrugada de 23 de junho de 2026, dentro da Penitenciária Estadual de Dourados. Segundo o Campo Grande News e outros veículos regionais, a causa registrada foi infarto. Ele cumpria pena em regime fechado pelo assassinato da esposa.
Na data do crime, em 2021, o feminicídio era tratado no Código Penal como qualificadora do homicídio. Depois, em outubro de 2024, a Lei nº 14.994 transformou o feminicídio em crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos. Essa mudança é posterior ao fato investigado no caso de Dourados, mas ajuda a compreender o endurecimento legislativo brasileiro em relação aos crimes cometidos contra mulheres por razões da condição do sexo feminino.
A trajetória do caso, de 2021 a 2026, demonstra como uma investigação pode mudar de direção a partir da análise técnica dos elementos disponíveis. O que inicialmente poderia parecer um crime patrimonial foi reconstruído como execução planejada. O julgamento em 2024 fixou a responsabilidade penal de Givaldo Ferreira Santos como mandante, e sua morte em 2026 encerrou apenas a execução da pena em relação a ele, sem apagar a condenação e sem modificar a condição de vítima de Zuleide Lourdes Teles da Rocha.
Linha do tempo do caso Givaldo Ferreira Santos
19 de junho de 2021 — Zuleide Lourdes Teles da Rocha é assassinada em Dourados/MS após ser atraída para uma suposta contratação de serviço investigativo.
22 e 23 de junho de 2021 — As investigações avançam e Givaldo Ferreira Santos passa a ser apontado como mandante do crime, com prisões dos envolvidos nos dias seguintes ao assassinato.
9 de agosto de 2024 — O Ministério Público de Mato Grosso do Sul informa a condenação dos envolvidos pelo Tribunal do Júri de Dourados. Givaldo recebe pena superior a 24 anos de reclusão.
23 de junho de 2026 — Givaldo Ferreira Santos morre na Penitenciária Estadual de Dourados, onde cumpria pena. A causa divulgada foi infarto.
24 de junho de 2026 — A morte do detetive condenado passa a repercutir em veículos regionais, encerrando a execução penal em relação ao condenado falecido, nos termos do artigo 107, inciso I, do Código Penal.





